Ketamina para o tratamento agudo de ideação suicida grave: estudo duplo-cego, randomizado controlado por placebo
2 de fevereiro de 2022, British Medical Journal
Autores: Mocrane Abbar, Christophe Demattei, Wissam El-Hage, Pierre-Michel Llorca, Ludovic Samalin, Pierre Demaricourt, Raphael Gaillard, Philippe Courtet, Guillaume Vaiva, Philip Gorwood, Pascale Fabbro, Fabrice Jollant
Objetivo: Confirmar os efeitos antissuicidários de início rápido da ketamina a curto prazo e em seis semanas, em geral e de acordo com o grupo diagnóstico.
Desenho do estudo: Estudo prospectivo, duplo-cego, randomizado controlado por placebo.
Local: Sete hospitais universitários franceses entre 13 de abril de 2015 e 12 de março de 2019.
Critérios de elegibilidade para os participantes: 18 anos ou mais com ideação suicida atual, admitidos no hospital voluntariamente. Os critérios de exclusão incluíram história de esquizofrenia ou outras perturbações psicóticas, dependência de substâncias e contraindicações para o uso de ketamina.
Participantes: 156 participantes foram recrutados e randomizados para placebo (n=83) ou ketamina (n=73), estratificados por centro e diagnóstico: perturbação bipolar, perturbação depressiva ou outros.
Intervenção: Duas infusões intravenosas de 40 minutos de ketamina (0,5 mg/kg) ou placebo (solução salina) foram administradas no início e após 24 horas, além do tratamento habitual.
Principais outcomes: O outcome primário foi a taxa de pacientes em remissão suicida completa no dia 3, de acordo com a escala para pontuação total de ideação suicida ≤3. As análises foram conduzidas com base na intenção de tratar.
Resultados: Um maior número de participantes que receberam ketamina atingiram remissão completa da ideação suicida no dia 3 do que aqueles que receberam placebo: 46 (63,0%) de 83 participantes no braço de ketamina e 25 (31,6%) de 73 no braço de placebo (odds ratio 3,7 (95 % intervalo de confiança 1,9 a 7,3), P <0,001). Este efeito diferiu de acordo com o diagnóstico (tratamento: P<0,001; interação: P=0,02): bipolar (odds ratio 14,1 (intervalo de confiança de 95% 3,0 a 92,2), P<0,001), depressivo (1,3 (0,3 a 5,2), P=0,6), ou outras perturbações (3,7 (0,9 a 17,3, P=0,07)). Os efeitos laterais foram limitados. Nenhum sintoma maníaco ou psicótico foi observado. Além disso, foi encontrado um efeito mediador do sofrimento psicológico. Na semana 6, a remissão no braço de ketamina permaneceu alta, embora não estatisticamente significativa versus placebo (69,5% v 56,3%; odds ratio 0,8 (intervalo de confiança de 95% 0,3 a 2,5), P = 0,7).
Conclusões: Os resultados indicam que a ketamina tem um efeito rápido, seguro e apresenta benefícios persistentes no tratamento agudo de pacientes com ideação suicida. Perturbações psiquiátricas comórbidas parecem ser moderadores importantes. O efeito analgésico pode também explicar os efeitos anti-suicidários da ketamina.
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