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Número Especial do Journal of American Psychiatry centra-se nos Psicadélicos

Número Especial do Journal of American Psychiatry centra-se nos Psicadélicos

5 de janeiro de 2025 3 minutos de leitura

  • Pedro Mota
  • Psicadélicos

À medida que o corpo de evidência sobre o potencial promissor das medicações psicadélicas em Psiquiatria cresce, permanecem muitas questões e desafios. A edição de janeiro do American Journal of Psychiatry apresenta uma série de artigos, incluindo novas investigações, revisões e comentários, sobre o uso destes tratamentos.

A edição aborda muitos dos desafios contínuos e questões emergentes no campo da investigação e tratamento psiquiátrico com psicadélicos. Estas incluem questões relacionadas com a farmacologia básica e os efeitos nos circuitos neuronais, evidência de eficácia clínica, desafios/metodologias limitantes na investigação existente (tais como efeitos de expectativa potencialmente grandes e "desocultação funcional"), e fatores contextuais relacionados com a saúde pública e considerações de políticas. Outras questões incluem interações medicamentosas, se os pacientes podem experimentar benefícios terapêuticos sem passar pelo estado alterado (“experiência psicadélica”) associado aos tratamentos psicadélicos, bem como o papel do medicamento (regulado pela FDA), o papel do suporte/terapia psicológica (provavelmente não regulado pela FDA) e a interação entre ambos no tratamento.

“Abordar e responder adequadamente a estas questões científicas e clínicas será crítico para o sucesso clínico futuro destes agentes,” escreve o editor-chefe do AJP, Dr. Ned Kalin, na introdução da edição coescrita com os editores convidados Dr. Gregory A. Fonzo e Dr. Charles B. Nemeroff. “O potencial para estratégias terapêuticas que utilizam psicadélicos é empolgante, mas ainda há um longo caminho pela frente até ao sucesso clínico.”

Alguns dos artigos da edição são destacados abaixo:

  • “Psicadélicos para o Tratamento de Perturbações Psiquiátricas: Considerações Metodológicas e Orientações para Futuras Investigações, Desenvolvimento Clínico e Implementação” – Roger S. McIntyre, M.D., et al. Esta revisão aborda considerações metodológicas gerais para dados de ensaios clínicos psicadélicos e fornece recomendações. O artigo tem como objetivo facilitar a interpretabilidade e a transposição dos estudos psicadélicos, oferecendo orientações para futuras investigações e implementações, garantindo que o desenvolvimento dos tratamentos psicadélicos seja rigoroso no que diz respeito à segurança e aos benefícios reais destes tratamentos.
  • “Psilocibina de Dose Única para Depressão com Resistência Severa ao Tratamento: um Ensaio Controlado Não-Randomizado” – Scott T. Aaronson, M.D., et al. Investigação original de Aaronson e colegas descreve resultados positivos de um ensaio aberto com tratamento de psilocibina em indivíduos com depressão severa resistente ao tratamento. Este pequeno estudo open label demonstrou segurança e eficácia significativas da psilocibina sintética em casos de depressão severa resistente ao tratamento.
  • “Benefícios e Desafios de Psicadélicos Ultrarápidos e de Curta Duração no Tratamento da Depressão” – Johannes G. Ramaekers, Ph.D., et al. Ramaekers e colegas revêm a evidência para psicadélicos ultrarrápidos e de curta duração, como a dimetiltriptamina (DMT) e a 5-metoxi-dimetiltriptamina (5-MeO-DMT), que potencialmente oferecem benefícios como regimes de dosagem individualizados para maximizar os resultados do tratamento e facilitar implementações menos complexas e menos dispendiosas.
  • “Primum Non Nocere: A Responsabilidade de Caracterizar os Potenciais Danos do Tratamento Psicadélico” – Sharmin Ghaznavi, M.D., Ph.D., et al. Como em todas as intervenções terapêuticas, é necessária investigação não só sobre os benefícios, mas também sobre os potenciais riscos, incluindo a análise de populações amplas com comorbilidades psiquiátricas e médicas tipicamente excluídas dos ensaios clínicos. Entre os danos conhecidos e potenciais dos tratamentos psicadélicos, analisados por Ghaznavi e colegas, incluem-se alterações perceptivas duradouras; uso excessivo, mau uso e dependência; experiências desafiadoras; efeitos cardiovasculares agudos e cumulativos; entre outros.


Pedro Mota
Pedro Mota
Médico Psiquiatra | SPACE (Direção)

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