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Atitudes e perceções dos profissionais de saúde mental portugueses sobre o uso terapêutico da psilocibina e da metilenodioximetanfetamina (MDMA).

Estudo QualitativoMDMAPsilocibina

12 de maio de 2026, Professional Psychology: Research and Practice

Autores: Encantado, J., Carvalho, L. C., Mota, P., Cunha, C., Garcia-Romeu, A., Johnson, M. W., & Teixeira, P. J.

Nos últimos anos, tem-se assistido a um ressurgimento da investigação sobre os psicadélicos como potenciais tratamentos para perturbações psiquiátricas. Este estudo teve como objetivo avaliar as atitudes dos profissionais de saúde mental em relação ao uso clínico de psilocibina e 3,4-metilenodioximetanfetamina (MDMA). Um total de 307 participantes, predominantemente mulheres (70,4%), responderam ao questionário, incluindo psicólogos (58,6%), psiquiatras (15%) e internos de psiquiatria (26,4%). Os participantes demonstraram abertura para a utilização de psilocibina (64%) e MDMA (59%) em contextos clínicos, com uma maioria significativa a desejar formação adicional (83% para psilocibina, 81% para MDMA). Foram identificadas lacunas de conhecimento, dado que apenas 41% e 27% dos inquiridos referiram um bom conhecimento sobre o potencial terapêutico da psilocibina e do MDMA, respetivamente, enquanto um número inferior compreendeu a sua farmacologia (29% para a psilocibina, 25% para o MDMA). As atitudes em relação à legalização foram cautelosas, com maior apoio ao uso médico supervisionado (70% para psilocibina, 57% para MDMA). As principais preocupações centraram-se na falta de profissionais treinados (73% para ambas as substâncias) e na administração a doentes com contraindicações (53% para psilocibina, 50% para MDMA), bem como no abuso/exploração de doentes (49% para psilocibina, 56% para MDMA). Os homens reportaram níveis mais elevados de conhecimento e atitudes mais positivas em relação a ambas as substâncias, enquanto as mulheres manifestaram maiores preocupações com a adição/dependência e com os custos financeiros. Os utilizadores anteriores de psicadélicos relataram um conhecimento significativamente maior e atitudes mais positivas em comparação com os não utilizadores. Estas descobertas sublinham a utilidade de programas de educação e formação direcionados para abordar as lacunas de conhecimento e as preocupações de segurança, com abordagens personalizadas que considerem o género, a idade e a formação profissional. A investigação futura deverá focar-se no desenvolvimento de protocolos terapêuticos padronizados e na exploração dos resultados a longo prazo das terapias assistidas por psicadélicos, o que facilitará a sua aceitação pelos profissionais para a prática clínica.




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