
Lançada iniciativa que procurará soluções de financiamento para melhor integrar as terapias psicadélicas nos sistemas de saúde na Europa.
19 de abril de 2025 • 2 minutos de leitura
- Pedro Mota
- Psicadélicos
- Sociedade
Embora haja um entusiasmo científico e da sociedade em geral relativamente ao potencial que os psicadélicos têm no tratamento de condições como a depressão, a Perturbação de Stress Pós-Traumático e as dependências, o que acontecerá depois de uma eventual aprovação regulamentar? Como é que estas terapias inovadoras poderão, de facto, chegar, às pessoas que mais precisarão delas? Esta pergunta tirava o sono a Floris Wolswijk e a Martin Gisby. Depois de meses a mergulhar na complexidade dos sistemas de saúde europeus, esta dupla identificou os desafios reais que ainda se colocam entre os pacientes e estes tratamentos com potencial transformador. Desde ultrapassar os complicados obstáculos de reembolso específicos de cada país até enfrentar o estigma histórico associado a estas substâncias, fizeram um mapeamento do terreno — e também das barreiras que é preciso superar.
“Reimbursement Pathways for Psychedelic Therapies” aborda um elemento crítico muitas vezes negligenciado no desenvolvimento das terapias psicadélicas: como poderão estas terapias vir a ser financiadas e devidamente integradas nos sistemas de saúde? Durante a ICPR (Interdisciplinary Conference on Psychedelic Research), em meados de 2024, Floris Wolswijk e Martin Gisby identificaram esta lacuna importante: embora a investigação científica e os trâmites regulatórios estivessem a ter destaque, pouco se discutia sobre o acesso económico real para os pacientes. Com apoio da fundação Norrsken Mind, o projeto deu origem a um relatório aprofundado sobre como estas terapias podem ser integradas nos sistemas de reembolso europeus, com foco na Alemanha, Países Baixos, Reino Unido e República Checa. Os objetivos principais do relatório visam:
✔️ Mapear o panorama atual de reembolsos em saúde mental;
✔️ Identificar barreiras específicas que dificultam o financiamento de terapias psicadélicas;
✔️ Propor soluções para facilitar o acesso dentro dos sistemas existentes;
✔️ Envolver stakeholders do ecossistema de saúde.
O relatório pretende promover a colaboração entre agentes chave e oferecer orientações práticas para que estas terapias possam fazer parte da medicina convencional — passo essencial para melhorar o acesso a quem sofre com perturbações psiquiátricas que os tratamentos atuais não conseguem resolver adequadamente.

Pedro Mota
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