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Aumento da integração global no cérebro após terapia com psilocibina para depressão

PsilocibinaEnsaio Clínico

11 de abril de 2022, Nature Medicine

Autores: Richard E. Daws, Christopher Timmermann, Bruna Giribaldi, James D. Sexton, Matthew B. Wall, David Erritzoe, Leor Roseman, David Nutt & Robin Carhart-Harris

A terapia com psilocibina tem mostrado potencial antidepressivo, porém as suas ações terapêuticas não são ainda totalmente compreendidas. Os autores avaliaram o impacto subagudo da psilocibina na função cerebral em dois ensaios clínicos em doentes com depressão. O primeiro foi um estudo aberto de psilocibina administrada por via oral (10 mg e 25 mg, com 7 d de intervalo) em pacientes com depressão resistente ao tratamento. A ressonância magnética funcional (fMRI) foi registada no início e 1 d após a dose de 25 mg. O inventário de depressão de Beck foi o outcome primário (MR/J00460X/1). O segundo ensaio foi um ensaio clínico randomizado duplo-cego de fase II comparando a terapia com psilocibina com escitalopram. Pacientes com depressão major receberam 2 × 25 mg de psilocibina oral, com 3 semanas de intervalo, mais 6 semanas de placebo diário ('braço de psilocibina') ou 2 × 1 mg de psilocibina oral, com 3 semanas de intervalo, mais 6 semanas de escitalopram diário (10 –20 mg) ('braço do escitalopram'). fMRI foi realizada na baseline e 3 semanas após a segunda dose de psilocibina (NCT03429075). Em ambos os ensaios, a resposta antidepressiva à psilocibina foi rápida, sustentada e correlacionada com diminuições na modularidade da rede cerebral avaliada através da fMRI, o que implica que a ação antidepressiva da psilocibina pode depender de um aumento global na integração da rede cerebral. As análises de cartografia de rede indicaram que as redes funcionais de ordem superior ricas em receptores 5-HT2A tornaram-se mais interconectadas funcionalmente e flexíveis após o tratamento com psilocibina. A resposta antidepressiva ao escitalopram foi mais suave e não foram observadas alterações na organização da rede cerebral. As alterações cerebrais consistentes relacionadas com a eficácia e com efeitos antidepressivos robustos em dois estudos sugerem um mecanismo antidepressivo para a terapia com psilocibina: os aumentos globais na integração da rede cerebral.




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