Experiências dos Participantes com o Toque Terapêutico na Terapia Assistida por Psilocibina
15 de fevereiro de 2026, Brain Behavior
Autores: Rachel Ham, John Gardner, Adrian Carter, Paul Liknaitzky
Embora seja frequentemente utilizado na terapia assistida por psicadélicos, o papel do toque terapêutico permanece pouco definido e eticamente sensível. Compreender a forma como os participantes experienciam e interpretam o toque durante sessões psicadélicas é essencial para informar uma prática clínica segura e eficaz.
Métodos: Os participantes foram selecionados a partir de um grande ensaio clínico aleatorizado de terapia assistida por psilocibina que permitia toque de apoio definido pelo protocolo. Foram analisados dados qualitativos longitudinais (39 entrevistas semiestruturadas) de n = 18 participantes. As entrevistas abordaram expectativas, experiências e reflexões sobre a utilização do toque durante estados psicadélicos agudos, antes e após a administração da substância. Foi utilizada análise temática para identificar os principais temas.
Resultados: Os participantes expressaram preferências e respostas variadas relativamente ao toque terapêutico. A maioria valorizou a sua disponibilidade, particularmente após a experiência directa, descrevendo a sua capacidade de promover ligação emocional, proporcionar ancoragem durante estados afectivos intensos e modular a profundidade da experiência psicadélica. Vários participantes relataram benefícios terapêuticos percebidos como directamente atribuíveis ao toque. A aceitabilidade esteve consistentemente associada à qualidade da relação terapêutica e a processos de consentimento robustos. Alguns participantes identificaram também potencial para desconforto ou distracção, sublinhando a necessidade de sensibilidade à história individual e ao contexto.
Conclusões: O toque terapêutico pode apoiar a segurança emocional e a regulação afectiva durante estados psicadélicos agudos. Os resultados destacam a importância de preparação explícita, consentimento e sintonia relacional aquando da incorporação do toque na terapia psicadélica. Investigações futuras deverão informar a formação dos terapeutas, enquadramentos de consentimento individualizados e protocolos de segurança que orientem uma utilização ética e eficaz na prática clínica.
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